Informativo nº 32 – Novas Economias

Por Gabriel Mantelli

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Em regra, o desenvolvimento socioeconômico no contexto mundial se fez com pouco respeito à ideia de proteção ambiental que temos hoje em dia. A partir da década de 1960, diante do cenário de colapso global desencadeado pelas crises climática e de escassez de recursos naturais, os movimentos sociais e científicos deslocaram seus objetivos no compreender desse fenômeno. Paradigmáticos, os nortes dessa emergência tiveram como representantes teóricos, por exemplo, o best seller “Primavera Silenciosa” da bióloga Rachel Carson e o ensaio “A Tragédia dos Comuns” de Garrett Hardin.

Mais recentemente, Edward O. Wilson, fundador da sociobiologia, em interessantíssimo texto, aborda as razões da necessidade de uma ética verdadeiramente ambiental e ecológica. Alerta que “somente nestes últimos momentos da história humana é que surgiu a ilusão de que as pessoas podem florescer separadas do resto do mundo vivente”, fazendo uma ferrenha crítica à ideia de que o ser humano e a vida social estão desvinculados da natureza. A superação dessa visão, segundo ele, seria fundamental para criarmos uma “uma ética ambiental duradoura [que] almejará não apenas a saúde, o bem-estar e a liberdade da nossa espécie, mas também o acesso ao mundo em que o espírito humano nasceu”.

Os atuais problemas ambientais podem ser caracterizados por demandarem um olhar especial às questões voltadas ao risco, à ética e à complexidade técnica e econômica. É evidente a fragilidade dos instrumentos de gestão atualmente disponíveis, exigindo-se um repensar do ordenamento à luz dos problemas difusos.

Uma das formas de se repensar o quadro jurídico se dá por meio do estudo da economia. Clóvis Cavalcanti é um estudioso da economia ecológica e nos sumariza o seguinte: “a economia convencional exclui a natureza como externalidade do processo econômico; a economia ambiental se preocupa em dar preço à natureza, com a tendência de vê-la como amenidade (uma ideia implícita na noção vulgar do “verde”); e a economia ecológica atribui à natureza a condição de suporte insubstituível de tudo o que a sociedade pode fazer”. A seu ver, a economia ecológica seria uma plataforma necessária para a manutenção da economia e, sobretudo, da vida no planeta.

Trazer o ideário da economia ecológica é um pequeno passo para repensarmos todo o quadro jurídico e institucional de proteção ambiental. Para irmos além, também precisamos refletir que tipo de Estado queremos para nós e nossas gerações futuras.

É preciso escrever novas histórias.