Informativo nº 24 – A encíclica Papal “Laudato Si”

Por Natalia Naville

No dia 18 de junho de 2015, foi apresentada no Vaticano a Encíclica intitulada “Laudato Si”, o primeiro documento papal dessa modalidade a dedicar-se exclusivamente à questão ambiental. Ela se inicia com o Papa Francisco apontando que todos os humanos compartilham entre si uma casa comum. A análise da atual crise ambiental enfatiza o papel do homem como depositário do patrimônio socioambiental, por cuja integridade ele deve zelar.

O entendimento é que a crise ambiental e a crise social não estão dissociadas, devendo ser vistas como algo único que se associa, formando uma única crise socioambiental. Seus efeitos não são igualmente distribuídos na sociedade, afetando mais intensamente a população de baixa renda, marginalizada e em áreas de risco, noção que remete ao conceito de justiça ambiental. O Papa Francisco enquadra a poluição e degradação ambiental na categoria de pecados ecológicos, causados pela cobiça humana, a qual tornaria homens e mulheres cegos à “verdade básica” de que o bem estar individual está intrinsecamente ligado à relação do indivíduo com os outros seres humanos.

      Considerado um marco no debate sobre as mudanças climáticas que ocorrem em âmbito global, o documento urge ainda os líderes  ao redor do planeta a tomarem medidas efetivas para o combate das mudanças climáticas. O pontífice alerta ainda quanto à questão da água, criticando a monopolização de recursos naturais, e a cultura do descarte, com sua consequente geração de resíduos. A encíclica defende o conceito de uma ecologia integral, e a criação de um diálogo entre economia e política em nome do bem comum, encorajando um movimento que envolva múltiplos credos em nome da proteção do planeta.