Informativo nº 3 – Vai de que?

Por João Pedro Montemor

Desde junho deste ano, com a aprovação da Lei Municipal nº 16.050, vulgo novo Plano Diretor Estratégico, SP vem experimentando um crescimento no investimento ao transporte cicloviário, inclusive com a implementação de 31 km de ciclovias pela cidade, também resultado da demanda por meios mais sustentáveis, econômicos e saudáveis de locomoção. Esta política pública, encabeçada pela atual gestão, procura concretizar 400 km de vias para bikes até o fim do mandato. Contudo, como toda a mudança, esta veio acompanhada de apoiadores e opositores: temos, de um lado, os cicloativistas, ambientalistas e usuários de transporte coletivo que vêem uma oportunidade de conectar as bicicletas aos seus meios de locomoção e, do outro, comerciantes, motoboys e motoristas. Este conflito tem gerado protestos e discussões pela cidade.

A ampliação da rede de ciclovias visa estimular o uso da bicicleta como meio de transporte de fato no cotidiano das pessoas e tem por aspectos positivos a redução da emissão de poluentes no ar, o incentivo a práticas esportivas saudáveis e a diminuição de acidentes de trânsito envolvendo ciclistas, além de almejar o combate o trânsito. Tem-se como objetivo integrar os transportes mais econômicos e sustentáveis numa rede eficiente, como consta Plano Diretor, no seguinte trecho:

Art. 23. Os objetivos urbanísticos estratégicos a serem cumpridos pelos eixos de estruturação da transformação urbana são os seguintes:

VII – desestimular o uso do transporte individual motorizado, articulando o transporte coletivo com modos não motorizados de transporte.

Realmente, tem havido uma taxa cada vez maior de bikes nas ruas. É uma tendência global. Diversas organizações de cicloativistas vêm estimulando estas mudanças, ao mesmo tempo que o carro se torna cada vez mais insustentável num trânsito insuportável como o de São Paulo.

Porém, apesar de tantas vantagens, vemos que as mudanças ainda não foram completamente aceitas, por parte pelo fato de estarem em sua fase inicial, não atingindo ainda seus objetivos máximos e, por outro lado, pois há pessoas que não concordam com tais políticas, afirmando que elas prejudicam o seu meio de trabalho. Motoboys, taxistas, comerciantes e motoristas entram no coro dos desconfortáveis. Alegam que as vias diminuem os espaços de circulação e de estacionamento de automóveis, atrapalhando o trânsito; junto às calçadas, as ciclovias prejudicam a carga e descarga de produtos em estabelecimentos ou embarque de pessoas; para os comerciantes, as ciclovias diminuem o potencial de clientes, por não haver vagas de estacionamento. No dia 26 de agosto, por exemplo, cerca de 600 motoboys se manifestaram contra o fim das motofaixas e vagas de estacionamento, que estão dando lugar às ciclovias.

Poderíamos dizer que estas reclamações são simplesmente egoístas, porém não são completamente vazias. De fato, ainda não existe, por exemplo, qualquer comunicação eficiente entre metrôs e ciclovias, o que limita o progresso que elas visam mas, sim, a mera construção de vias para bicicletas. E isso não é o suficiente. Ainda há muito a ser feito para que as bikes sejam completamente viáveis no nosso dia-a-dia.

Trata-se, ainda, de desenvolver uma nova cultura no nosso meio urbano. E não é nada fácil! Apesar de alguns dizerem que as bikes são um fetiche, pela dificuldade em enxergar uma SP nestes moldes, em outros locais essa cultura já é uma realidade implacável. Basta uma pequena caminhada pelas ruas de Londres, Pequim, Nova York e Montreal para percebermos que, por vezes, há mais bicicletas do que carros circulando. As vendas de bikes na maioria dos países europeus já superaram as de carros. Agora, por que com Sampa não há de ser o mesmo? Por que negarmos esta oportunidade? Por que não acreditarmos nas magrelas de duas rodas?

Praa conhecer melhor a infraestrutura de bikes em SP:

http://www.cetsp.com.br/consultas/bicicleta/bicicleta-um-meio-de-transporte.aspx

Dicas pra quem vai/quer começar a ir de bike:

http://vadebike.org/