Informativo nº 70 – Cidades Sustentáveis: um futuro possível?

Por Juliana Lumy Yamaguti

Nos últimos dias, de 24 a 27 de agosto, foi realizada a Virada Sustentável em São Paulo, um evento que também ocorre em outras 7 cidades brasileiras (Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Sebastião, Sinop e Valinhos) e que tem como objetivo divulgar a sustentabilidade na sociedade através de eventos culturais, seguindo a temática dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.

Os ODS foram estabelecidos em 2015 durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável realizada na Assembleia Geral da ONU, e se baseiam nos Oito Objetivos do Milênio (definidos em 2000 para serem atingidos em 2015). Tais objetivos não foram atingidos por completo, mas o estabelecimento de metas se mostrou eficaz para melhorias de âmbito mundial: o número de mortes infantis caiu significativamente e o combate a doenças como AIDS e malária se tornou mais efetivo, por exemplo. Seguindo esse sistema de metas, os ODS têm como limite o ano de 2030, e uma dessas tarefas é justamente tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

Cidades sustentáveis são aquelas que apresentam um  pequeno impacto ambiental negativo, adotam práticas para a melhoria da qualidade de vida da população e para o desenvolvimento econômico sustentável. De acordo com uma pesquisa realizada em 2016 pela empresa de consultoria global Arcadis, que examinou as 100 cidades mais importantes do planeta e compilou-as numa lista das 50 mais sustentáveis, a cidade mais sustentável do mundo é Zurique, seguida de Singapura e Estocolmo. Cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro ficaram nas posições de 79ª e 82ª, respectivamente.

O que essas cidades têm para servir de exemplo para as cidades brasileiras (relacionados ao  impacto ambiental) são inúmeros fatores:

  • Quanto ao lixo: em cidades como Zurique e Vancouver (23ª) a coleta de lixo ocorre sistematicamente toda semana e caso os moradores não os separem corretamente (respeitando a política de reciclagem) correm o risco de não ter seu lixo coletado e podem até receber multas. No caso de Vancouver, após duas semanas de disposição indevida, um representante do governo vai até a residência do morador e o ensina a separar corretamente.

 

  • Quanto ao transporte: nas cidades mais ecologicamente conscientes, o uso de transporte público coletivo é geralmente a primeira opção para a maior parte da população, além disso, bicicletas e veículos motorizados compartilhados também são muito populares. Tais alternativas têm inclusive sido amplamente adotadas no Brasil, em Passo Fundo (RS) foi criado o projeto governamental Vai de Bici em que os usuários podem retirar (e devem devolver) as bicicletas nos postos, e as utilizar por até duas horas sem custos, algo muito similar com os programas presentes nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro que foram criados em parceria com bancos, cuja gratuidade do serviço se estende até 1 hora de utilização. Outra questão a ser abordada é a dos motores elétricos, uma alternativa mais sustentável aos combustíveis renováveis, e um bom exemplo a ser seguido é também de outra cidade brasileira: Fortaleza – nela foi criado o projeto Vamo que consiste em uma rede de compartilhamento de carros elétricos (em São Paulo já existe inclusive um projeto similar que iniciou recentemente suas atividades: o Urbano LDSharing)

  • Quanto aos recursos hídricos: Singapura tornou-se cidade referência em relação ao reaproveitamento e uso adequado dos recursos hídricos, que teve de ser muito bem planejado devido à sua reduzida quantidade original. Outra cidade que se destaca nesse quesito é Tóquio que, após passar por uma grave crise hídrica, reformou sua tubulação e atualmente apresenta um índice de apenas 2% de desperdício da sua água tratada. A comparação se torna assustadora ao saber que em janeiro desse ano, o desperdício de água tratada no estado de São Paulo chegava a aproximadamente 30% devido a vazamentos na rede e ligações clandestinas, ao passo que ainda existem pessoas sem acesso ao saneamento básico que têm direito (esgoto e água encanada).

Certamente que existem diversas outras questões a serem melhoradas no Brasil que podem tomar como exemplo outras cidades e países em que existam políticas sustentáveis mais efetivas. No entanto para que uma mudança significativa aconteça, é necessária uma maior conscientização do brasileiro: de nada adianta ficar esperando que as autoridades públicas façam algo sem que nós, como população, tomemos alguma iniciativa.

Para isso, que tal começar mudando pequenos comportamentos? Tomar atitudes para influenciar a vida das pessoas ao seu redor – nem que seja uma quantidade pequena – fazendo-as criar conhecimento da importância de serem mais sustentáveis; e quando essas perceberem o quão prejudicial algumas de suas ações podem ser, que elas mudem algumas coisas no seu modo de viver e, por sua vez, influenciem outros de seu círculo social, criando uma rede de influência global.

Utilizar mais o transporte coletivo, comprar apenas o necessário, evitar o desperdício de recursos naturais, reutilizar coisas sempre que possível, separar corretamente o lixo – esses são exemplos de simples atitudes que todos deveriam ter intrinsecamente à sua natureza, afinal, viver em uma cidade com boa qualidade de vida não é o que todos queremos? Para atingir tal resultado, somente com a consciência e vontade de agir partindo de cada um, e assim, numa ação conjunta, quem sabe daqui a uns 12 anos possamos realmente atingir as metas estabelecidas pela ONU, ou ao menos nos tornar um país que realmente siga um desenvolvimento sustentável e que possa dar uma perspectiva de futuro positiva para as próximas gerações.

Referências:

 

http://www.suapesquisa.com/ecologiasaude/cidades_sustentaveis.htm

https://www.significados.com.br/cidades-sustentaveis/

http://g1.globo.com/como-sera/noticia/2017/01/vancouver-quer-ser-cidade-mais-sustentavel-do-mundo-ate-2020.html

http://www.banricoop.coop.br/blog/post/cidades-mais-sustentaveis-do-mundo-dao-licao-de-equilibrio

http://exame.abril.com.br/brasil/mantendo-o-ritmo-saneamento-universal-no-brasil-sai-em-2040/

https://www.pub.gov.sg/watersupply/singaporewaterstory

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/03/1603095-toquio-aprende-a-licao-e-hoje-perde-so-2-da-agua.shtml