Princípio 10 – Informativo N° 63 – Semana da Proteção à Fauna

Por Thomas T. Schaalmann

Em setembro de 2013, Vitor de Q. Piacentini escreveu um texto a respeito da simpática ave que se tornou noticia na época. Tratava-se do sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris). Entretanto, longe do ideal ambientalista, a ave não ganhou o interesse nacional devido seu melodioso canto, mas por atrapalhar o sono de muitos paulistanos, como afirma o autor. Em São Paulo, o sabiá iniciava seu canto característico às três horas da manhã, diferentemente do que se verifica em áreas vegetadas que a espécie ocorre.

Assim como muitas outras aves, o sabiá-laranjeira inicia sua temporada reprodutiva após o inverno e é por meio do canto que o macho atrai suas parceiras e demarca seu território. Nota-se, que o horário habitual desse ritual se inicia no começo do dia, por volta das 6 da manhã. O fato de adiantar seu canto reflete uma adaptação da ave mediante sua convivência com o ser humano e a cidade.

Quanto maior a distancia que seu canto percorra, maior as chances de encontrar uma parceira e de afastar outros machos. Entretanto, a espécie foi capaz de perceber que a modernidade possui sons aos quais não se consegue competir. De nada adiantando iniciar seus cantos nos horários habituais. Assim, para que as fêmeas possam ouvir o macho, é necessário que ele cante em um período mais silencioso. Como solução para isso, o sabiá-laranjeira passou a cantar às três horas da manhã nas áreas urbanas.

A adaptação acima descrita reflete o impacto do ser humano na fauna silvestre, que se vê obrigada a conviver com a contemporaneidade ou se extinguir. Cabe salientar que o relacionamento do ser humano com a fauna é imbuído de boa vontade com consequências desastrosas para a manutenção dessas espécies, tanto em vida livre quanto em convivência conosco.

Convêm constatar que a biodiversidade de nossa fauna representa um de nossos maiores tesouros. O Brasil é considerado um país megadiverso, contendo de 15% a 20% das espécies do planeta. Sendo o maior detentor de anfíbios (946 espécies), o terceiro maior detentor de aves (1901 espécies), o segundo maior detentor de mamíferos (713 espécies) e o terceiro maior detentor de répteis (744 espécies). Com efeito, entende-se que a proteção à fauna deva ocupar lugar de destaque nas diretrizes ambientais, considerando a difusão e consolidação de valores ambientais. Para isso, foi criada a Semana da Proteção à Fauna, que perdura de 4 a 10 de outubro.  Um período que enfatiza a importância da fauna no equilíbrio dos ecossistemas e da responsabilidade individual que devemos ter com seu habitat. Não havendo duvidas que a efetiva conservação e preservação dos animais que coabitam conosco depende, decisivamente, da participação da sociedade brasileira. Nesse cenário, devemos ser perseverantes na efusão dos princípios da educação ambiental.

Ressalta-se que a educação ambiental é um importante passo para a difusão do conhecimento, minimizando as principais ameaças à biodiversidade que são em primeiro lugar a perda de habitat, a introdução de espécies exóticas e o trafico de animais, revelando o impacto humano na deterioração do meio ambiente.

O sabiá-laranjeira foi capaz de se adaptar a cidade, entretanto isso não ocorre com a maioria das espécies. Somente algumas são capazes de coabitar ambientes urbanos, enquanto a imensa maioria passa a integrar listas que revelam a sua possível extinção. Resta-nos a proteção à fauna, como sugere a semana que ingressamos no dia 4 de outubro.

animais-x-humanos

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