Informativo n. 61 – Os vazios do Sertão e o Dia Nacional do Cerrado

Por  Luiza Surita

“O senhor vê: o remoo do vento nas palmas dos buritis todos, quando é ameaço de tempestade. Alguém esquece isso? O vento é verde.” João Guimarães Rosa descreveu as paisagens do Cerrado brasileiro como ninguém na história da literatura brasileira, despertando um olhar mais afetuoso para esse oásis do Sertão. A data de hoje – 11 de Setembro – também deveria ser uma forma de nos sensibilizar em relação a este bioma tão importante.

Um dos maiores biomas do Brasil, o Cerrado tem associação direta à segurança hídrica e alimentar de todo país. Isso porque, grande parte da água consumida no Sudeste e Nordeste vem de seus aquíferos e nascentes. Elas abastecem grandes bacias hidrográficas, como a do Amazonas, Tocantis/Araguaia, São Francisco, Paraná e Paraguai. Além disso, concentra 5% da biodiversidade mundial e 30% da biodiversidade brasileira.

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Contudo, a “caixa d’água do Brasil” enfrenta seus problemas. Já perdeu metade da vegetação original e tem menos de 3% de sua área efetivamente protegida, sendo que 40%  de sua vegetação está ocupada pela agropecuária, conduzida em especial pela produção de soja. Estima-se que todos os anos o Cerrado perca uma área do tamanho do Sergipe por causa do desmatamento, sendo que a situação é especialmente crítica no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, havendo pesquisadores que afirmam que se este processo continuar, o bioma pode desaparecer em 50 anos. Os motivos do desmatamento se relacionam à ampla margem legal para desflorestamento (80% das propriedades rurais), à extração ilegal de madeira e de carvão, ao avanço desregrado da agropecuária, da urbanização e da geração de energia.

Tendo em vista a reflexão que esta data inspira, pode-se pensar em algumas alternativas. Além de uma opinião pública que busque pelo o fortalecimento de programas de proteção ao cerrado, como o monitoramento do desmatamento e das queimadas, além da criação de Unidades de Conservação, pode-se ter em mente também a moratória da soja, a exemplo do que ocorre na Amazônia. A moratória da soja é um acordo entre sociedade civil, indústria e governo, que tem importante contribuição para a redução do desmatamento. Isso é uma alternativa que tem apresentado resultados positivos, uma vez que a partir disso o agricultor que faz o desmatamento ilegal fica impedido de vender a soja produzida em sua propriedade. O mesmo poderia ser aplicado no Cerrado, tendo em vista que o bioma abriga grande parte da produção de soja do país.

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