O perigo desconhecido das microesferas de plástico

Quando se fala em poluição, a maior parte das pessoas imagina cenas desastrosas como o estado atual do Rio Doce ou Tietê, ou grandes lixões a céu aberto. Contudo, a poluição é definida na Política Nacional do Meio Ambiente como a degradação da qualidade ambiental que prejudique a saúde, afete desfavoravelmente a biota, entre outros resultados que desequilibrem o meio ambiente.

Assim, nos últimos anos tem entrado em pauta um tipo de poluição muito menos evidente. As microesferas de plástico (“microbeads”, em inglês) são esferas com tamanho entre 10 micrometros e 1 milímetro feitas de polietileno, polipropileno e poliestireno. O grande problema destas microesferas é que, por seu tamanho menor do que um grão de areia, elas não são filtradas no processo de tratamento de efluentes e acabam chegando aos rios e mares.

Chegando aos rios e mares, essas pequenas partículas de plástico são acidentalmente ingeridas pelos peixes e outros seres marinhos, adentrando na cadeia alimentar e se acumulando nos seres que se encontram no topo desta, dentre eles, os seres humanos. Não bastasse, os microplásticos absorvem pesticidas e metais pesados de forma que podem intoxicar aqueles que os ingerem.

As microesferas de plásticos são comumente encontradas em produtos de higiene pessoal, tais quais cremes esfoliantes e pastas de dente. Assim, são usados cotidianamente e todo dia são jogados nos meios aquáticos sem que seus usuários sequer tenham noção dos impactos que estão causando.

Felizmente, existem alternativas muito simples. Inicialmente, o consumidor deve verificar se o produto utilizado possui microesferas, buscando no rótulo nomes como “polyethylene”, “polypropylene” e “polystyrene”. Os produtos alternativos incluem argilas, farelos de arroz, sementes, bambu, casca de coco, etc.

Em decorrência da facilidade de encontrar alternativas – que muitos dizem ser inclusive mais eficientes como esfoliantes – e dos graves impactos decorrentes desta “microbeads”, diversas marcas já vêm substituindo o plástico por meios mais naturais. Também, alguns países baniram o uso de microesferas de plástico. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi assinado no final do ano passado um decreto que proibirá o uso de micropláticos, proibindo a fabricação até julho de 2017 e a venda destes cosméticos até 2018.

Desde que o assunto entrou em pauta, por volta de 2012, mas mais acentuadamente em 2014, diversas empresas têm se comprometido a gradualmente substituir as microesferas de plástico, como a Johnson & Johnson, Unilever, The Body Shop, L’Oreal e Natura. Entretanto, o monitoramento de grupos ambientalistas tem mostrado que muitos produtos ainda se utilizam desnecessariamente destes grânulos. O aplicativo “Ban the microbead” apresenta uma lista atualizada de produtos que estão ‘autorizados’ para o uso e aqueles que não estão.

Apesar das recentes melhoras, não há no Brasil nenhum banimento formal, nem suficiente conscientização. Desta forma, resta aos consumidores e consumidoras pressionarem as empresas para adotarem esfoliantes alternativos e pressionarem os governantes para que a legislação proíba a produção e comercialização das microesferas de plástico.

O canal do Youtube “The History of Stuff” fez um vídeo explicativo sobre o assunto.

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