Princípio10 – Informativo N. 62 – O dia da árvore e seus frutos – Por Enrico Costa

Da lenha utilizada para construir as caravelas que aqui atracaram ao vermelho de Urucu que se pintavam os que aqui estavam. Do fruto que expulsou-nos do éden à ponte para o paraíso e o inferno. Envolta por simbolismo, galhos e folhas a árvore é um dos poucos elementos que é compartilhado por toda a humanidade. Com as mais diversas formas cores e tamanhos as árvores se encontram em quase todos os biomas do planeta de forma que e quase impossível encontrar um único indivíduo que não tenha se deparado com uma, independente do período ou do lugar. Elas integram a cultura, alimentação e economia de praticamente todas comunidades.

As árvores são de suma importância para o equilíbrio do planeta, exercendo funções cruciais na manutenção do meio ambiente tal como faz nas sociedades humanas. Por conta desse caráter primordial, no dia 21 de setembro foi instituído no Brasil o chamado “dia da árvore”, uma data que não se restringe às terras tupiniquins, sendo comemorada em quase todo o mundo nas proximidades com a primavera. Essa data tem a função pedagógica de conscientizar a população dessa grande riqueza natural que possuímos e de seus artifícios que tornam a vida possível no planeta.

Biologicamente, sabe-se que as árvores são responsáveis por quase 20% de todo o oxigênio produzido pela fotossíntese no mundo, sendo uma das grandes garantidoras da vida na Terra. Uma árvore média lança, por ano, mais de 100kg de gás oxigênio na atmosfera, quantidade suficiente para manter vivo 2 seres humanos. Além disso, elas também atuam na proteção das paisagens contra a erosão advinda da chuva. Suas raízes conseguem absorver mais de 250 litros de água por dia, além de oferecer uma forte proteção contra as enxurradas. Por fim, vemos nela o papel fundamental na formação das grandes florestas, compondo complexas organizações biológixas e garantindo vida para milhares de espécies de animais.

Contudo, a importância das árvores não se restringem somente aos aspectos puramente biológicos. Elas foram, desde sempre, ferramentas fundamentais para formação das sociedades humanas. Elas foram, desde sempre, elementos fundamentais para formação das sociedades humanas. A oferta de frutos de sus galhos ofereceram alimentos para o homem e a seus animais domesticados. A lenha de seus troncos foi, por muito tempo, a única forma de combustível para a humanidade, permitindo o aquecimento e o cozimento de alimentos. Na lenha também se encontrou a matéria-prima para a construção civil e para confecção de móveis e ferramentas. Hoje, ainda se explora diversos outros aspectos das árvores, como o papel, tinta, borracha e cortiça.

Seu papel para com as sociedades não termina no âmbito prático e econômico. A árvore traz consigo um caráter simbólico único. Durante toda a história, elas foram cultuadas pelos mais diversos povos em todos os continentes, o misticismo e a beleza que as compõe foram incorporadas nas mais diversas formas de expressão do homem: seja nas artes, religião ou mesmo nos costumes. Esse vínculo entre homem e árvore é tão óbvio e relevante que organizações internacionais já recomendam que se plantem árvores, mesmo que em pequena quantidade, próximo de áreas habitacionais.

Mas, qual seria nossa relação com esse tão importante recurso nos dias de hoje? A maior parte das cidades brasileiras são cinzas, não apresentam grande quantidade de áreas verdes que se esperam nas cidades. A ONU determina que, para que se tenha um ambiente saudável nas cidades é necessário que se tenha um valor próximo de 12 metros quadrados de área verde para cada habitante. Excluindo algumas cidades como Curitiba, Vitoria e Goiânia a maior parte das cidades brasileiras passa longe desse índice. Nas grandes cidades como São Paulo encontramos números como 5,2 metros quadrados por habitantes, chegando a casos alarmantes como 0,7 metros quadrados por habitante em Recife. Além disso, nessas cidades a pouca área verde está restrita nas áreas mais ricas, excluindo grande parte da população do contato que poderiam ter com a natureza.

O desmatamento é outro ponto que chama muito a atenção. de 2000 até 2005 o Brasil conseguiu o vergonhoso título de país mais desmatador, sendo responsável por quase metade de todo o desmatamento do planta. Essa situação foi melhorando até 2012 quando o país conseguiu sua maior redução no desmatamento. Entrentanto, desde então a situação só tendeu a piorar, com um alento de mais de 1.000% na exploração de madeira da região. Se estima que, somente nos últimos 20 anos uma área do tamanha do estado de São Paulo foi desnatada somente na Amazonia legal e uma área do tamanho de Goiás no Mato Grosso.

Enrico Costa

Informativo n. 61 – Os vazios do Sertão e o Dia Nacional do Cerrado

Por  Luiza Surita

“O senhor vê: o remoo do vento nas palmas dos buritis todos, quando é ameaço de tempestade. Alguém esquece isso? O vento é verde.” João Guimarães Rosa descreveu as paisagens do Cerrado brasileiro como ninguém na história da literatura brasileira, despertando um olhar mais afetuoso para esse oásis do Sertão. A data de hoje – 11 de Setembro – também deveria ser uma forma de nos sensibilizar em relação a este bioma tão importante.

Um dos maiores biomas do Brasil, o Cerrado tem associação direta à segurança hídrica e alimentar de todo país. Isso porque, grande parte da água consumida no Sudeste e Nordeste vem de seus aquíferos e nascentes. Elas abastecem grandes bacias hidrográficas, como a do Amazonas, Tocantis/Araguaia, São Francisco, Paraná e Paraguai. Além disso, concentra 5% da biodiversidade mundial e 30% da biodiversidade brasileira.

topo_cerrado

Contudo, a “caixa d’água do Brasil” enfrenta seus problemas. Já perdeu metade da vegetação original e tem menos de 3% de sua área efetivamente protegida, sendo que 40%  de sua vegetação está ocupada pela agropecuária, conduzida em especial pela produção de soja. Estima-se que todos os anos o Cerrado perca uma área do tamanho do Sergipe por causa do desmatamento, sendo que a situação é especialmente crítica no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, havendo pesquisadores que afirmam que se este processo continuar, o bioma pode desaparecer em 50 anos. Os motivos do desmatamento se relacionam à ampla margem legal para desflorestamento (80% das propriedades rurais), à extração ilegal de madeira e de carvão, ao avanço desregrado da agropecuária, da urbanização e da geração de energia.

Tendo em vista a reflexão que esta data inspira, pode-se pensar em algumas alternativas. Além de uma opinião pública que busque pelo o fortalecimento de programas de proteção ao cerrado, como o monitoramento do desmatamento e das queimadas, além da criação de Unidades de Conservação, pode-se ter em mente também a moratória da soja, a exemplo do que ocorre na Amazônia. A moratória da soja é um acordo entre sociedade civil, indústria e governo, que tem importante contribuição para a redução do desmatamento. Isso é uma alternativa que tem apresentado resultados positivos, uma vez que a partir disso o agricultor que faz o desmatamento ilegal fica impedido de vender a soja produzida em sua propriedade. O mesmo poderia ser aplicado no Cerrado, tendo em vista que o bioma abriga grande parte da produção de soja do país.

O perigo desconhecido das microesferas de plástico

Quando se fala em poluição, a maior parte das pessoas imagina cenas desastrosas como o estado atual do Rio Doce ou Tietê, ou grandes lixões a céu aberto. Contudo, a poluição é definida na Política Nacional do Meio Ambiente como a degradação da qualidade ambiental que prejudique a saúde, afete desfavoravelmente a biota, entre outros resultados que desequilibrem o meio ambiente.

Assim, nos últimos anos tem entrado em pauta um tipo de poluição muito menos evidente. As microesferas de plástico (“microbeads”, em inglês) são esferas com tamanho entre 10 micrometros e 1 milímetro feitas de polietileno, polipropileno e poliestireno. O grande problema destas microesferas é que, por seu tamanho menor do que um grão de areia, elas não são filtradas no processo de tratamento de efluentes e acabam chegando aos rios e mares.

Chegando aos rios e mares, essas pequenas partículas de plástico são acidentalmente ingeridas pelos peixes e outros seres marinhos, adentrando na cadeia alimentar e se acumulando nos seres que se encontram no topo desta, dentre eles, os seres humanos. Não bastasse, os microplásticos absorvem pesticidas e metais pesados de forma que podem intoxicar aqueles que os ingerem.

As microesferas de plásticos são comumente encontradas em produtos de higiene pessoal, tais quais cremes esfoliantes e pastas de dente. Assim, são usados cotidianamente e todo dia são jogados nos meios aquáticos sem que seus usuários sequer tenham noção dos impactos que estão causando.

Felizmente, existem alternativas muito simples. Inicialmente, o consumidor deve verificar se o produto utilizado possui microesferas, buscando no rótulo nomes como “polyethylene”, “polypropylene” e “polystyrene”. Os produtos alternativos incluem argilas, farelos de arroz, sementes, bambu, casca de coco, etc.

Em decorrência da facilidade de encontrar alternativas – que muitos dizem ser inclusive mais eficientes como esfoliantes – e dos graves impactos decorrentes desta “microbeads”, diversas marcas já vêm substituindo o plástico por meios mais naturais. Também, alguns países baniram o uso de microesferas de plástico. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi assinado no final do ano passado um decreto que proibirá o uso de micropláticos, proibindo a fabricação até julho de 2017 e a venda destes cosméticos até 2018.

Desde que o assunto entrou em pauta, por volta de 2012, mas mais acentuadamente em 2014, diversas empresas têm se comprometido a gradualmente substituir as microesferas de plástico, como a Johnson & Johnson, Unilever, The Body Shop, L’Oreal e Natura. Entretanto, o monitoramento de grupos ambientalistas tem mostrado que muitos produtos ainda se utilizam desnecessariamente destes grânulos. O aplicativo “Ban the microbead” apresenta uma lista atualizada de produtos que estão ‘autorizados’ para o uso e aqueles que não estão.

Apesar das recentes melhoras, não há no Brasil nenhum banimento formal, nem suficiente conscientização. Desta forma, resta aos consumidores e consumidoras pressionarem as empresas para adotarem esfoliantes alternativos e pressionarem os governantes para que a legislação proíba a produção e comercialização das microesferas de plástico.

O canal do Youtube “The History of Stuff” fez um vídeo explicativo sobre o assunto.