Informativo n° 44 – Frentes do Ecofeminismo

Por Nathalia Pires

Seguindo a linha do informativo elaborado ano passado a respeito do ecofeminismo (informativo número 18, disponível em: https://cpannusp.com/2015/05/24/informativo-no-18-ecofeminismo/), entendo de extrema importância escrever esse informativo para diferenciar algumas das diferentes frentes que esse movimento apresenta, uma vez que seria errado generalizar diferentes ideologias e transformá-las em uma só.

O movimento ecofeminista surgiu da década de 1970 e, ao fazer uma interconexão entre ambientalismo e feminismo, busca associar a exploração e a subordinação da natureza e as das mulheres pelo poder patriarcal dominante.

Conforme apontado pela Iriê Prado de Souza no artigo “Os sentidos e representações do ecofeminismo na contemporaneidade”, “o pensamento ecofeminista possui basicamente três pressupostos: 1) Um sob o ângulo econômico, no qual se percebe que a mulher e a natureza são tidas como recursos ilimitados que proporcionam a acumulação do capital. 2) Sob o enfoque político, que identificaria a mulher com a natureza e o homem com a cultura, perpetuando a hierarquização dos segundos (homem e cultura) para legitimar a opressão da mulher e da natureza. 3) Sob as políticas científicas e tecnológicas do desenvolvimento econômico moderno, não há neutralidade ao gênero, além de formarem uma visão que exclui o feminino do campo do conhecimento ‘científico’”.

Tendência Clássica

A tendência clássica do ecofeminismo denúncia a naturalização da mulher como um dos mecanismos de legitimação do patriarcado e é baseada na oposição da ética feminina de proteção dos seres vivos à essência agressiva masculina, tendo como fundamento as características femininas igualitárias e materiais que pré-dispõem as mulheres ao pacifismo e à conversação da natureza, enquanto que homens seriam naturalmente predispostos à competição e à destruição.

Tendência Espiritualista

Essa tendência tem uma associação fortemente cultural e religiosa, tendo como representante expressiva a Vandana Shiva. De maneira geral, as ecofeministas dessa frente apontam a história como ponto de partida para entender a dominação das mulheres e da natureza. Para Vandana, o desenvolvimento capitalista, além de causar a devastação ambiental, principalmente nos países pobres, também aumenta a opressão das mulheres.

Tendência Construtivista

Essa tendência, defendida por Bina Agarwal, aproxima a mulher da natureza não por suas características próprias do sexo feminino, e sim devido às responsabilidades de gênero na economia familiar, criadas através da divisão social do trabalho, da distribuição do poder e da propriedade. Nesse caso, a consciência ecológica da mulher decorre da interação compulsória com o meio ambiente, independente de suas características afetivas ou cognitivas próprias de seu sexo.

Apesar de terem bases diferentes, todas as frentes contribuem de forma teórica e prática para o ecofeminismo. Tanto o essencialismo, como a questão histórica e a importância da mulher na economia doméstica somam forças e contribuem para a luta. Assim, mesmo sendo importante pontuar tais diferenças, talvez seja mais importante ainda lembrar o que todas as frentes têm de semelhante e como elas podem se ajudar para atingir um objetivo comum: pôr fim à exploração e à subordinação da natureza e as das mulheres pelo poder patriarcal dominante.

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