Informativo nº 42 – Quem são os verdadeiros assassinos?

Por Fernando Saleta e Júlia Garcia

PRINCÍPIO 10 – INFORMATIVO Nº 42 – POR FERNANDO SALETA E JÚLIA GARCIA

https://cpannusp.wordpress.com/2015/12/15/informativo-no-42

No mês de novembro deste ano, o parque temático SeaWorld voltou a chamar a atenção da opinião pública quando foi divulgada a informação de que, a partir de 2017, seriam encerrados os shows produzidos com baleias orcas (também conhecidas como “baleias assassinas”, ou “killer whales”), no parque de San Diego, na Califórnia. Contudo, o parque esclareceu, através de nota oficial, que a principal atração atual, o show “One Ocean” será encerrado no fim de 2016, apenas na unidade de San Diego, na Califórnia, sendo substituída a partir de 2017 por um show com caráter mais “educativo”, ainda estrelado por animais selvagens. Assim, as atrações continuarão sendo oferecidas nas filiais do Texas e da Flórida.

Apesar disso, tal medida foi por muitos comemorada e pode até ter gerado um sentimento de surpresa, mas sucedeu-se à forte retaliação social às práticas de exploração e catividade de animais pelo SeaWorld. De fato, a morte da treinadora Dawn Brancheau em 2010 já havia gerado várias reações negativas, que foram acirradas com a divulgação do documentário “Blackfish”, em 2013. Além disso, em outubro de 2015, a Comissão Costeira do estado da Califórnia proibiu a utilização do método de inseminação artificial para multiplicar o número de espécimes do parque, incluindo a sua própria comercialização e transferência. Porém, especula-se que o fator mais relevante para o recente anúncio do SeaWorld foi o declínio de 17% das visitas ao parque no último ano, causando um prejuízo contabilizado em cerca de 10 milhões de dólares, o que evidencia o caráter eminentemente comercial da decisão do parque.

Os espetáculos com esses animais marinhos escondem uma cruel realidade. Geralmente, tais baleias são capturadas em seu ambiente natural selvagem, sendo retiradas de seus agrupamentos sociais, cujos laços familiares são extremamente profundos. Os funcionários do parque têm pouco ou nenhum treinamento para lidar com esses mamíferos, que estão sujeitos a um manejo brutal e um cuidado inadequado.

As orcas são treinadas com métodos que incluem intimidação física e privações, sendo enclausuradas em tanques inapropriados, nos quais não há qualquer estímulo físico ou mental, o que gera estresse. Esse aprisionamento prejudica a orientação e a comunicação delas, que se dá através da ecolocação – um processo pelo qual emitem sons em diferentes frequências -, pois os seus sons repercutem de volta, deixando-as muito angustiadas. Comparativamente, seria como condenar os seres humanos a viver em espaços fechados e circundados por espelhos – seria perturbador!

Ademais, a maior parte do tempo, as baleias são mantidas em locais escondidos do público, em áreas sem exibição de animais, que apresentam condições de confinamento ainda piores. Por conta disto, os animais são impedidos de comportarem-se como se estivessem na natureza. Outro dado que reitera tal fato é a absurda diminuição de expectativa de vida delas: ao invés de viverem cerca de 80 anos, como no ambiente natural, as orcas confinadas em parques morrem, normalmente, antes dos 8 anos de idade. A morte prematura deriva, no geral, do estresse, de úlceras ou de outras doenças induzidas pelo estresse.

O SeaWorld anunciou, ainda, que os shows serão substituídos por uma atração “mais natural” e condizente com os anseios de seus consumidores, reproduzindo o próprio ambiente marinho. Essa proposta coaduna-se com a corrente “bem-estarista”, que viabiliza a exploração de caráter eminentemente patrimonial, desde que respeitado um patamar mínimo de garantias oferecidas aos animais, de modo que seja minimizado, o quanto possível, o seu sofrimento físico-psíquico.

No entanto, essa alegação deve ser encarada de forma crítica. Subentende-se que o SeaWorld está tentando se adaptar às pressões e ao reconhecimento dos direitos do animais, por parte do seu público e dos ativistas, como uma forma de recuperar a frequência de visitação, a revalorização de seu valor de mercado e os lucros. Isso significa que essas mudanças foram propostas em virtude de interesses predominantemente econômicos, estando a real preocupação com o bem-estar das orcas em plano secundário.

Sob esses aspectos, presume-se que a utilização das baleias, e de quaisquer outros animais, como propriedade, para servir exclusivamente ao entretenimento humano, não é aceitável do ponto de vista moral e ético. Deve-se aplicar o princípio da igual consideração e do tratamento humanitário aos animais, entendendo-lhes o direito básico de não serem tratados como coisas e de não sofrerem desnecessariamente. O sofrimento deles não pode ser justificado pelo divertimento, conveniência ou prazer humanos.

Assim, quem realmente são os “assassinos” dessa história?

Para mais informações, confira:

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