Informativo nº 41 – A colaboração das abelhas para a alimentação humana e para a biodiversidade da Terra

Por Rafaela Sedeh

As abelhas são insetos conhecidos, sobretudo, por seu alto grau de organização dentro da colmeia. Divididas em três grupos, elas exercem funções específicas e complementares, de modo que a interferência em uma das funções pode comprometer todas as outras.

Cada colmeia possui uma abelha rainha, a qual mantém a ordem social do grupo, através da liberação de substâncias químicas, e se encarrega de produzir todos os ovos. As operárias constituem a maior parte da população e ficam encarregadas da manutenção estrutural da colmeia, bem como da coleta de pólen e néctar de flores e da produção de mel e geleia real. Os zangões, por sua vez, são os machos e têm como única função fecundar a rainha.

Consideradas os mais bem adaptados e mais eficientes agentes polinizadores do mundo, as abelhas operárias desempenham papel fundamental na produção alimentícia: são responsáveis por 1/3 dos alimentos que chegam às mesas. Entretanto, esse número está sendo ameaçado, já que a população desse inseto vem diminuindo drasticamente, colocando-os em risco de extinção.

O sumiço, o qual é causado por um distúrbio denominado CCD (Colony Collapse Disorder, ou Síndrome do Colapso das Colônias) começou a chamar atenção primeiramente nos EUA, quando, após o inverno de 2012/2013, foi constatada a morte de quase 1/3 das abelhas do país. Hoje, o problema já foi identificado em outras áreas do globo, como Europa, América Latina e, em especial, no Brasil. Embora as causas apontadas para esse fenômeno sejam diversas, muitos cientistas apostam no uso excessivo de defensivos agrícolas, sobretudo os pesticidas neonicotinoides, advindos da nicotina, como o principal responsável.

No entanto, não se pode ignorar o fato de agentes patogênicos também estarem causando a mortalidade das abelhas. Existem três mais conhecidos: um fungo conhecido por nosema, dois vírus denominados DWV e IAPV, e um ácaro, chamado varroa. Este último, porém, não tem atuação expressiva no Brasil, já que a espécie de abelha predominante no país é bastante resistente ao ácaro.

Desses, os principais agentes patogênicos são os vírus. O DWV afeta a morfologia das asas, causando sua deformação e levando a abelha à morte. O IAPV, por sua vez, atinge o sistema nervoso do inseto, deixando-o paralisado. Esse segundo vírus é bastante temido por sua alta capacidade de atingir rapidamente uma colmeia inteira, assim como por sua capacidade de infectar a geleia real, alimento determinante na formação das larvas que se tornarão abelhas rainhas. Dessa forma, comprometendo o desenvolvimento das abelhas rainhas, compromete-se a natalidade das abelhas como um todo, uma vez que, como dito anteriormente, fica a cargo delas a reprodução da espécie.

Embora em um mundo hipotético, no qual não existam mais abelhas, alguns cientistas defendam que estaríamos preparados para contornar as dificuldades que essa situação causaria para a produção agrícola mundial, não há como ignorar o fato de que a qualidade e a diversidade dos alimentos estariam comprometidas. Algumas espécies de plantas possuem apenas um agente polinizador, como é o caso do maracujazeiro, cujo único inseto polinizador é a abelha mamangaba. A extinção da mamangaba, portanto, comprometeria de forma permanente a produção do maracujá.

Visando a minimizar esse problema, alguns países têm, nos últimos anos, mudado sua política agrícola. A União Europeia chegou a proibir, em 2013, o uso de diversos pesticidas apontados como responsáveis pela mortalidade das abelhas. Os EUA, por sua vez, têm destinado grande verba para investigar o fenômeno e, posteriormente, tentar resolvê-lo.

A situação chega a ser tão preocupante para alguns agricultores brasileiros, que no sul do país muitos têm recorrido ao aluguel de colmeias de apicultores. Estima-se que, por ano, 60 mil colmeias sejam alugadas pelos produtores de maçã. Os produtores de melão e abacate em outras áreas do país também têm recorrido a essa medida.

Deve-se ter em mente que o desaparecimento desses insetos não tem como única consequência a diminuição da oferta de alimentos. O problema é muito maior, indo desde efeitos econômicos negativos a impactos ambientais irreparáveis. Albert Einstein já prevera: “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”.

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