Informativo nº 27 – Dia de Proteção às Florestas: Amazônia e as Chuvas da Região Sudeste

Por Luiza Sperandeo

O folclore brasileiro nutre, desde o princípio, uma ligação forte com as florestas e a preservação delas. A mais antiga das lendas, o Curupira, representava essa proteção à natureza por meio da figura de um menino, que vivia nas florestas pregando peças naqueles que depredassem o meio ambiente, seja pela caça dos animais ou pela extração predatória das plantas. Então, na data em que era comemorado o guardião das florestas, foi criado o dia de proteção a elas. Esse dia representa um pedido de reflexão, reflexão acerca das florestas não apenas como um conjunto de árvores, mas como um ecossistema complexo e equilibrado, que influencia diretamente na nossa vida, por mais longe que essas florestas estejam.

Um exemplo claro e recente disso é interferência que o desmatamento da Amazônia causou no índice pluviométrico da região Sudeste. Há dois anos, os estados do Sudeste enfrentam uma severa estiagem causada por diversos fatores, entre eles uma crise de gestão dos recursos hídricos e um fator climático. Concentremo-nos no fator climático. A região Sudeste é caracterizada por ser uma das áreas mais secas do Brasil, sendo que a umidade que provoca as chuvas na região vem da Amazônia, pelo fenômeno dos Rios Voadores, que surge da seguinte maneira: Uma grande quantidade de água evapora do Atlântico, é “arrastada” para floresta amazônica e, então, essa umidade precipita. As árvores transpiram e esse vapor de água vai para a atmosfera (cerca de 20 bilhões de litros por dia). O vapor percorre a floresta e, ao alcançar a Cordilheira dos Andes, é desviado para a região Centro-Sul do Brasil. Por fim, as chuvas ocorrem quando essa umidade encontra as frentes frias vindas do Atlântico Sul.

Contudo, esse fenômeno tem sido prejudicado, ano após ano, pela devastação da Amazônia, que já alcança quase 20% de área desmatada. Ao desmatar a região, a quantidade de vapor de água que vai para a atmosfera diminui, o que prejudica a ocorrência de chuvas nos estados que dependem dessa umidade. Dessa maneira, é possível notar que a preservação das florestas não é uma mera vontade ou uma opção é um dever em prol da sobrevivência. Quando se negligencia essa questão, negligencia-se também a qualidade de vida e o equilíbrio desse grande sistema ao qual pertencemos.

Como forma de reverter esse processo de destruição e conscientizar as pessoas, várias ONGs têm feito campanhas e projetos de proteção às florestas. Um deles é o projeto de Lei do Desmatamento Zero e a campanha “Sem floresta não tem água” do Greenpeace. Faz parte dessa campanha, um estudo do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre o futuro climático da Amazônia, o relatório dessa pesquisa detalha a ligação da floresta com a regulação do clima no planeta.

Para mais informações sobre a campanha e o projeto de lei:

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/dia-da-protecao-das-florestas-nossas-arvores-pedem-socorro/

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Sem-floresta-nao-tem-agua/

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