Informativo nº 18 – Ecofeminismo

Por Nathalia Pires

A mulher sempre teve sua figura associada à Mãe Terra, pois sempre coube a ela zelar pelo ambiente familiar, cuidar da casa, assim se conectando a natureza. A opressão e submissão das mulheres surgiram quando os povos deixaram de ser nômades e passaram a utilizar a divisão social do trabalho como forma de organização. Com isso, as mulheres permaneceram mais ligadas ao lar e aos filhos, o que fez com que descobrissem a agricultura, assim criando uma relação mais próxima com a natureza.

Devido a tal ligação com a natureza, o equilíbrio do meio ambiente é visto como um fator fundamental para a qualidade de vida da comunidade. No entanto, na visão capitalista patriarcal, a natureza não passa de um mero objeto de exploração, dominação e poder, sendo que nós mulheres também somos vistas do mesmo modo por tal sistema. A dominação das mulheres está baseada nos mesmos fundamentos e impulsos que levaram à exploração da natureza e de povos. Tanto a natureza quanto as mulheres são vistas pelo capitalismo como um objeto de consumo, o qual pode ser explorado para satisfação de supostas necessidades humanas.

Diante de tal cenário de exploração da mulher e da natureza, surgiu o movimento ecofeminista. Esse termo surgiu de Françoise d’Eubonne, que o definiu como “a capacidade das mulheres, como impulsoras de uma revolução ecológica, de ocasionar e desenvolver uma nova estrutura relacional de gênero entre os sexos, bem como entre a humanidade e o meio ambiente”. O ecofeminismo luta tanto contra a desigualdade de gênero como contra a exploração da natureza. Dessa forma, busca pôr fim ao patriarcado, assim como busca a valorização de todos os seres e da vida.

No Brasil, temos um importante movimento ecofeminista, o qual é composto por diversas mulheres do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Essas mulheres são de comunidades que foram vítimas das construções de barragens. Devido a tais construções, a violência contra a mulher cresceu de uma maneira absurda, aumentando drasticamente o número de casos de violência contra as mulheres, como estupros. Esther Vital, militante do Coletivo de Mulheres do MAB, denuncia que “em uma barragem como Belo Monte, com até 40 mil operários, as empresas pagam um bônus para os operários trocarem por serviços de prostituição”. Diante de tal cenário, essas mulheres começaram a produzir arpilleras, técnica que surgiu no Chile durante a ditadura, a qual tem como fim tornar públicas as violações que essas mulheres sofrem com a construção de barragens e a consequente destruição da mata.

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