Informativo nº 9 – O consumo no século XXI

Por André Houang

Os meios urbanos contemporâneos concentram não apenas a maior parte da população mundial como também a que tem melhores condições de vida e, desta forma, consome mais. No Brasil são mais de 160 milhões de residentes de cidade que não apenas fazem uso desenfreado de recursos, mas que também têm pouca consciência do que foi necessário para produzi-lo ou para simplesmente transportá-lo da área fornecedora à urbana.

Os bens usados diariamente não apenas representam um risco ao meio ambiente no que tange o seu descarte, mas também no que tange a sua produção. No entanto, a reflexão acerca no impacto ambiental derivado do consumo, quando ocorre, tende a ser acerca dos resíduos por ele gerados e não na imensidão de recursos usados para sua produção. Não pensamos, ao tomar aquela latinha de refrigerante no almoço ou comer aquele pacotinho de salgadinho para matar a fome de tarde nos numerosos recursos necessários para que nós os pudéssemos consumir naquele instante. Apenas no que tange os gastos energéticos derivados indiretamente do consumo de produtos alimentícios, ecólogos calcularam que um americano médio (neste ponto deve-se reconhecer que consumo americano é muito elevado em relação ao brasileiro, mas o número apresentado ainda serve como base para uma reflexão) consome cerca de 5,3 litros de petróleo diariamente, a mesma quantidade que esse mesmo americano usaria para abastecer seu carro cotidianamente.

Apesar da quantidade de recursos usados para que se garanta o consumo dos bens mais banais ser imensa (seja em sua própria produção, em seu transporte ou até mesmo para embalá-lo), pouca legislação tem sido feita para reduzi-la. Não há grandes políticas públicas para incentivar a produção local, o que minimizaria os danos ambientais causados pelo transporte e nem para reduzir os materiais usados na embalagem de tais bens. O pouco que se tem na esfera legislativa atual que mais próximo de evitar esse uso desnecessário de recursos é a lei municipal 15.374 de 2011, que proibiu a distribuição de sacolinhas plásticas nos mercados, e que apenas agora teve sua constitucionalidade reconhecida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Se o legislativo provavelmente ainda tardará para tratar do assunto, cabe a nós perguntarmo-nos se aquele docinho vale realmente a pena depois de todos os recursos usados para que pudéssemos apreciá-lo?

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